IRS 2026: pensionistas com surpresas nos acertos

Em 2026, muitos pensionistas vão deparar-se com diferenças no reembolso ou no pagamento do IRS, fruto das alterações às tabelas de retenção na fonte e do pagamento do suplemento extraordinário de pensões em setembro de 2025.

De acordo com algumas simulações, um pensionista com uma pensão mensal de 1.500 euros poderá ter de pagar mais 381,50€ no acerto do próximo ano. Apesar disso, o rendimento líquido anual continua a ser ligeiramente superior.

Mas afinal, porque é que estas medidas vão afetar tanto os reembolsos do IRS em 2026?

Sumário

    IRS 2026: o que muda em 2025?

    1. Alterações às tabelas de retenção na fonte

    Era suposto as tabelas de retenção manterem-se iguais de janeiro a dezembro. Mas, este ano e à semelhança de 2024, o Governo introduziu duas mudanças a meio do ano:

    • Agosto e setembro: novas tabelas, com efeito retroativo, para corrigir as retenções feitas em excesso entre janeiro e julho.
    • A partir de outubro: entram em vigor as tabelas definitivas, diferentes das aplicadas no início do ano.

    Exemplos:

    • Pensionistas solteiros ou com dois titulares de rendimentos deixaram de reter IRS se recebessem até 1.116 euros/mês.
    • No caso dos pensionistas casados com apenas um titular, o limite subiu para 1.152 euros/mês.
    • Mesmo acima destes valores, as taxas de retenção passaram a ser mais baixas do que nos primeiros sete meses do ano.
    1. Suplemento extraordinário para pensionistas

    Em setembro de 2025, o Governo pagará um suplemento extraordinário de pensões a quem recebe até 1.567 euros/mês, com três escalões:

    • Pensões até 522,50€ → suplemento de 200€
    • Pensões entre 522,50€ e 1.045€ → suplemento de 150€
    • Pensões entre 1.045€ e 1.567€ → suplemento de 100€

    Este valor é recebido na íntegra (sem retenção na fonte), mas é incluído nos rendimentos anuais e, por isso, será considerado no cálculo do IRS de 2026.

    Qual o impacto do suplemento extraordinário nas pensões no IRS de 2026?

    Veja agora exemplos práticos do impacto destas alterações nos diferentes valores de pensão.

    Pensões de 500€:

    • Não existe retenção nem imposto a pagar.
    • O suplemento para pensões mais baixas, ou seja, de 200€ aumenta diretamente o rendimento líquido anual, que passa de 7.000€ para 7.200€.

    Pensões de 1.000€:

    • Recebem suplemento de 150€.
    • Em 2026, vão pagar mais 94€ de IRS do que pagariam sem as alterações.
    • Apesar disso, ficam com um ganho líquido anual de +126€.

    Pensões de 1.500€:

    • Recebem suplemento de 100€.
    • Em 2026, a diferença é de 381,50€. Ou seja, quem esperava um reembolso de 381,50€, passa a não receber nada e quem não teria reembolso, pode ter de pagar esse valor ao Estado.
    • O aumento líquido anual é reduzido a apenas 78,50€.

    O que significa isto para os pensionistas?

    Estas medidas mostram que:

    • O rendimento bruto aumentou, mas nem todo o suplemento se transforma em dinheiro no bolso.
    • O ajuste nas tabelas de retenção diminui o imposto retido mês a mês, mas pode reduzir o reembolso em 2026.
    • Pensionistas com valores próximos de 1.500€ estão entre os mais afetados, já que o suplemento recebido pode ser quase “anulado” pelo IRS.

    O que podemos concluir para o IRS 2026 dos pensionistas?

    Apesar de o objetivo das medidas ter sido aumentar o rendimento disponível dos pensionistas, os acertos de IRS em 2026 podem trazer surpresas desagradáveis, sobretudo para quem recebe pensões de 1.500 euros mensais.

    O conselho é simples: esteja atento às simulações de IRS, verifique as deduções à coleta a que tem direito e prepare-se para um eventual reembolso mais baixo, ou até para ter de pagar imposto adicional.

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    • Não. É um pagamento único em setembro de 2025.

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