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Englobamento no IRS: guia completo

O englobamento no IRS continua a gerar dúvidas entre muitos contribuintes em Portugal. Afinal, será que vale a pena englobar rendimentos? Em que situações é obrigatório? E quais são as vantagens e desvantagens desta opção?

Neste artigo explicamos, o que é o englobamento no IRS, como funciona, que rendimentos podem ser englobados e em que casos esta decisão pode ajudar a pagar menos imposto.

Sumário

    O que é o englobamento no IRS?

    O englobamento no IRS consiste em juntar determinados rendimentos obtidos ao longo do ano aos restantes rendimentos sujeitos a IRS, para que sejam tributados de acordo com as taxas progressivas do imposto.

    Na prática, em vez de alguns rendimentos serem tributados autonomamente a uma taxa fixa, passam a ser somados ao rendimento global do agregado familiar.

    Isto significa que o imposto a pagar será calculado com base no escalão de IRS correspondente ao total dos rendimentos.

    Como funciona o englobamento?

    Em Portugal, alguns rendimentos estão sujeitos a taxas liberatórias ou taxas especiais. Um exemplo comum são os juros de depósitos a prazo ou dividendos, normalmente tributados à taxa de 28%.

    Quando existe a opção pelo englobamento no IRS, esses rendimentos deixam de ser tributados autonomamente e passam a integrar o rendimento coletável total.

    Deixamos-lhe um exemplo simples e prático.

    Imagine um contribuinte com:

    • 14.000€ de salário anual;
    • 500€ de juros de depósitos a prazo.

    Sem englobamento:

    • Os juros são tributados autonomamente a 28%;
    • O imposto sobre os juros será 140€.

    Com englobamento:

    • Os 500€ são somados aos 14.000€;
    • O valor será tributado segundo o escalão de IRS aplicável.

    Se o contribuinte estiver num escalão inferior a 28%, o englobamento pode permitir pagar menos imposto.

    Que rendimentos podem ser englobados?

    O englobamento pode aplicar-se a vários tipos de rendimentos, dependendo da categoria de IRS.

    Entre os casos mais comuns estão:

    Rendimentos de capitais (Categoria E)

    Incluem:

    • Juros de depósitos;
    • Dividendos;
    • Rendimentos de certificados de aforro;
    • Outros rendimentos financeiros.

    Estes rendimentos são normalmente tributados à taxa autónoma de 28%, mas podem ser englobados.

    Rendimentos prediais (Categoria F)

    As rendas de imóveis também podem ser englobadas, em vez de serem tributadas autonomamente.

    Mais-valias mobiliárias

    Em determinadas situações, as mais-valias obtidas com a venda de ações ou outros instrumentos financeiros podem estar sujeitas a englobamento obrigatório.

    O englobamento no IRS é obrigatório?

    Nem sempre.

    Existem situações em que o englobamento é opcional e outras em que é obrigatório.

    Englobamento facultativo

    Na maioria dos casos relacionados com:

    • Juros;
    • Dividendos;
    • Rendimentos prediais;

    Aqui, o contribuinte pode escolher entre manter a tributação autónoma ou optar pelo englobamento.

    Englobamento obrigatório

    O englobamento pode ser obrigatório em algumas situações específicas, como:

    • Determinados rendimentos obtidos no estrangeiro;
    • Mais-valias mobiliárias em certos escalões;
    • Casos previstos na legislação fiscal em vigor.

    Nestas situações o contribuinte não pode escolher.

    Quando compensa fazer englobamento?

    A resposta depende sempre do rendimento total do agregado familiar e da taxa de IRS aplicável.

    Regra geral, o englobamento pode compensar quando:

    • o contribuinte está num escalão de IRS inferior à taxa autónoma;
    • existem muitas deduções à coleta;
    • o rendimento global é relativamente baixo.

    Por outro lado, o englobamento pode não compensar quando:

    • o contribuinte já se encontra em escalões elevados;
    • a taxa marginal de IRS é superior à taxa liberatória.

    O ideal é verificar sempre a sua situação antes de submeter o IRS.

    Quais as vantagens do englobamento no IRS?

    Possibilidade de pagar menos IRS

    Esta é a principal vantagem. Se a taxa efetiva de IRS for inferior à taxa autónoma aplicada ao rendimento, o imposto poderá diminuir.

    Aproveitamento de deduções

    Ao englobar rendimentos, o contribuinte pode beneficiar melhor de determinadas deduções fiscais.

    Maior justiça fiscal

    O englobamento permite que a tributação tenha em conta a situação financeira global do agregado familiar.

    Quais as desvantagens do englobamento no IRS?

    Aumento da taxa de IRS

    Ao aumentar o rendimento coletável, o contribuinte pode subir de escalão.

    Impacto em apoios ou benefícios

    Um rendimento coletável mais elevado pode afetar:

    • prestações sociais;
    • bolsas;
    • apoios dependentes de rendimentos.

    Maior complexidade no preenchimento

    A declaração de IRS pode tornar-se mais complexa, especialmente quando existem vários tipos de rendimentos.

    Como optar pelo englobamento no IRS?

    A opção é feita no momento da entrega da declaração de IRS.

    O contribuinte deve indicar, nos anexos correspondentes, que pretende englobar determinados rendimentos.

    É importante simular o IRS em ambos os cenários:

    • com englobamento;
    • sem englobamento.

    Desta forma consegue perceber qual a opção mais vantajosa.

    Vale a pena fazer simulações de englobamento no IRS?

    Sim. O impacto do englobamento varia muito de caso para caso.

    Dois contribuintes com o mesmo rendimento de capitais podem ter resultados completamente diferentes dependendo:

    • do salário;
    • do agregado familiar;
    • das deduções;
    • dos restantes rendimentos.

    Por isso, antes de submeter o IRS, é aconselhável fazer diferentes simulações de englobamento no IRS.

    O englobamento no IRS pode ser uma forma de reduzir o imposto a pagar, mas nem sempre compensa. Tudo depende do valor dos rendimentos, do escalão de IRS e da situação fiscal do agregado familiar.

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    Perguntas Frequentes

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    • Não. Em alguns casos o englobamento no IRS pode até aumentar o imposto a pagar.

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