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- Comprar ou arrendar em 2026?
- Redator: Francisca Silva
- Revisor: Pedro Leite
- Publicado em: 18/01/2019
- Atualizado em:24/08/2026
Comprar ou arrendar em 2026? Preços, Euribor e qual compensa mais
Comprar ou arrendar casa? Esta é uma das perguntas que mais atormenta quem vive em Portugal, sobretudo nas grandes cidades. Com o tempo o cenário não só não tem vindo a melhorar, como se tornou ainda mais complexo: os preços de venda continuam a subir, as rendas não dão tréguas e a subida das taxas de juro é constantemente uma dúvida.
Comprar: os preços não param de subir
Em Lisboa, o preço médio de venda ronda atualmente os 6.769 €/m², com uma valorização homóloga de cerca de 2,3%, depois de subidas ainda mais fortes em 2023 e 2024. Em bairros como Santo António ou Avenidas Novas, um T1 pode facilmente ultrapassar os 6.000 a 8.500 €/m².
O Porto, que há uns anos era claramente a alternativa “barata”, já não o é tanto: os preços de venda estão a subir a um ritmo de quase 8% ao ano, mais depressa do que Lisboa, e o m² já ronda os 4.366 €.
A procura continua a superar largamente a oferta. A construção de nova habitação até aumentou nos últimos anos, mas está muito longe dos níveis de há duas décadas; o que mantém a pressão sobre os preços.
Arrendar: rendas em desaceleração, mas ainda pesadas
Do lado do arrendamento, a boa notícia (relativa) é que o ritmo de subida das rendas tem vindo a abrandar face aos picos anteriores. Ainda assim, os valores continuam elevados:
- Lisboa: cerca de 21,8 €/m², o que significa que um T1 de 50 m² já ronda os 1.000-1.100 € mensais, e um T2 de 80 m² pode ultrapassar os 1.700 €.
- Porto: cerca de 16-17,5 €/m², com um T2 semelhante a rondar os 1.100-1.400 €.
Segundo o INE, a renda mediana de novos contratos voltou a subir em todas as sub-regiões do país, com destaques como a Madeira (+16% num ano). Ou seja: arrendar continua a “consumir” uma fatia muito grande do orçamento familiar, sem que essa despesa se traduza em qualquer património para o inquilino.
O que mudou verdadeiramente: a Euribor está de volta
Se, por exemplo, em 2020 as taxas de juro estavam próximas de zero (e chegaram mesmo a ser negativas), o cenário atual é diferente. Em agosto de 2026, a Euribor a 6 meses (o indexante mais usado nos créditos habitação em Portugal) ronda os 2,7%, depois de uma nova subida ligada à instabilidade geopolítica no Médio Oriente e à pressão sobre os preços da energia.
Na prática, isto significa que um crédito habitação de 150.000 € a 30 anos, com spread de 1%, já tem uma prestação mensal na ordem dos 680-700€. Os analistas antecipam que as taxas se mantenham pressionadas até ao final de 2026, com alguma melhoria possível apenas em 2027.
Este é o principal fator que distingue a decisão de “comprar ou arrendar”: comprar deixou de significar automaticamente uma prestação mais baixa do que uma renda. Em muitos casos, a prestação de um crédito habitação e o valor de uma renda para uma casa equivalente estão hoje muito próximos, a diferença é que a prestação está a construir património, e a renda não.
Então, compensa mais comprar ou arrendar?
Não há uma resposta universal, mas há critérios que ajudam a decidir:
Comprar pode fazer mais sentido se:
- Tem estabilidade profissional e pretende ficar na mesma cidade pelo menos 5 a 7 anos;
- Consegue reunir capital próprio suficiente para reduzir o montante financiado (e, com ele, o peso dos juros);
- Prefere que a sua “renda” mensal se transforme, ao longo dos anos, em património.
Arrendar pode fazer mais sentido se:
- Precisa de flexibilidade geográfica (mudanças de emprego, de cidade, de país);
- Não tem ainda capital próprio suficiente para conseguir boas condições de financiamento;
- Prefere não ficar exposto às oscilações da Euribor num contrato de 30 anos.
Para quem já tem crédito habitação e sente o aumento das prestações no orçamento, ou para quem está a comparar propostas antes de decidir, vale a pena simular diferentes cenários: desde consolidar créditos existentes a rever o spread contratado, antes de tomar a decisão.
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Depende do seu horizonte temporal e da sua situação financeira. Se pensa ficar na mesma casa por vários anos e consegue reunir capital próprio, comprar tende a compensar mais a longo prazo, porque a prestação constrói património. Se precisa de flexibilidade ou não tem ainda entrada suficiente, arrendar pode ser a opção mais sensata no curto prazo.
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A Euribor a 6 meses ronda atualmente os 2,7%, o que encarece a prestação de um crédito habitação face aos anos de taxas próximas de zero. Isto reduz a diferença entre o valor de uma prestação e o de uma renda equivalente, pelo que vale a pena simular bem as condições antes de decidir.
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Lisboa continua a ser a cidade mais cara para comprar, com um preço médio acima dos 6.700 €/m². O Porto tem valores mais baixos, mas é atualmente a cidade onde os preços mais sobem, com um ritmo de valorização anual próximo dos 8%.
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No curto prazo, a renda mensal pode ser inferior à prestação de um crédito, sobretudo em Lisboa. No entanto, arrendar não cria património e as rendas têm continuado a subir todos os anos, pelo que a diferença tende a esbater-se com o tempo.
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As previsões apontam para que os preços de venda se mantenham elevados e que a Euribor só comece a aliviar a partir de 2027. Esperar pode significar continuar a pagar rendas elevadas sem qualquer retorno, por isso a decisão deve ser avaliada caso a caso, e não apenas com base na expectativa de uma descida de preços.



