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- Banco de Portugal reduz taxa de esforço máxima para 45%
- Publicado em: 20/05/2026
- Atualizado em: 20/05/2026
- Redator: Raquel Esteves
- Revisor: Pedro Leite
Banco de Portugal reduz taxa de esforço: o que muda no crédito habitação?
O Banco de Portugal prepara uma revisão da Recomendação Macroprudencial que poderá trazer mudanças importantes na concessão de crédito habitação já a partir de 1 de agosto de 2026.
A principal alteração passa pela redução da taxa de esforço máxima (DSTI) de 50% para 45%, o que deverá tornar o acesso ao crédito mais exigente para muitas famílias portuguesas.
Esta proposta surge numa altura em que o regulador identifica vários sinais de risco no mercado:
- aumento do endividamento das famílias;
- crescimento acelerado do crédito;
- subida dos preços da habitação;
- maior recurso ao financiamento por clientes mais jovens e com menor capacidade financeira.
Na prática, os bancos poderão ficar com menos margem para aprovar processos considerados mais “esticados”, sobretudo em clientes com vários créditos ativos ou rendimentos mais limitados.
O que é a taxa de esforço?
A taxa de esforço representa a percentagem do rendimento mensal destinada ao pagamento de créditos. No cálculo entram todas as responsabilidades financeiras do cliente.
Porque é que o Banco de Portugal quer apertar as regras?
O objetivo do regulador passa por reduzir o risco de incumprimento das famílias e reforçar a estabilidade do sistema financeiro.
Nos últimos anos verificou-se:
- aumento significativo do crédito habitação;
- crescimento dos preços das casas;
- subida do número de jovens compradores;
- maior utilização da garantia pública do Estado;
- contratos com maturidades mais longas.
Segundo o Banco de Portugal, existe o risco de algumas famílias assumirem encargos demasiado elevados face ao seu rendimento disponível.
Ao reduzir a taxa de esforço máxima para 45%, pretende-se criar uma “almofada financeira” maior para os clientes conseguirem suportar aumentos de despesas, subida de juros ou imprevistos.
Quem será mais afetado com a nova medida do Banco de Portugal?
Clientes com vários créditos ativos
Quem já tem crédito pessoal, automóvel ou cartões de crédito poderá sentir maior dificuldade em conseguir aprovação para crédito habitação.
Isto porque o cálculo da taxa de esforço é agregado e considera todos os encargos financeiros.
Jovens compradores
Apesar de continuarem a existir condições mais favoráveis nos prazos máximos para clientes até aos 35 anos, o regulador mostra preocupação com o aumento do endividamento dos jovens.
Com a garantia pública, muitos clientes conseguem avançar para compra de casa sem entrada inicial elevada, mas isso também aumenta o risco associado aos financiamentos.
Clientes com rendimentos mais baixos
Famílias com salários mais reduzidos poderão ver a capacidade de financiamento diminuir.
Mesmo pequenas diferenças no valor da prestação poderão fazer ultrapassar o novo limite de 45%.
O que muda na prática para quem quer pedir crédito habitação?
Caso esta revisão avance, os bancos deverão tornar-se mais seletivos na análise dos processos.
Na prática, isso poderá traduzir-se em:
- mais recusas de crédito;
- redução dos montantes aprovados;
- maior importância da estabilidade profissional;
- análise financeira mais rigorosa;
- valorização de clientes com menos encargos;
- maior peso da entrada inicial;
- preferência por perfis financeiros mais sólidos.
A avançar esta medida só entrará em vigor dia 1 de agosto.
Vai deixar de ser possível conseguir crédito com taxa de esforço superior a 45%?
Não necessariamente.
Atualmente, os bancos já podem aprovar uma pequena percentagem de processos acima dos limites recomendados pelo Banco de Portugal, através das chamadas “exceções de carteira”.
No entanto, o regulador também está a ponderar reduzir essa flexibilidade.
Ou seja, mesmo existindo exceções, a tendência aponta para uma política de concessão mais prudente.
Os prazos do crédito habitação também podem mudar?
Sim.
O Banco de Portugal está igualmente a analisar alterações aos limites máximos de maturidade dos contratos.
Atualmente, as recomendações são:
- até 40 anos para clientes com menos de 30 anos;
- até 37 anos entre os 30 e os 35 anos;
- até 35 anos para clientes com mais de 35 anos.
O objetivo passa por evitar créditos demasiado longos, que aumentam o custo total do financiamento e prolongam o risco para famílias e bancos.
Como aumentar as hipóteses de aprovação de crédito?
Com regras mais apertadas, preparar bem o processo será cada vez mais importante.
Algumas estratégias que podem ajudar:
Reduzir créditos existentes
Liquidar ou consolidar créditos pode diminuir significativamente a taxa de esforço.
Evitar utilização elevada de cartões de crédito
Mesmo sem dívida em atraso, plafonds elevados ou utilização frequente podem influenciar a análise bancária.
Aumentar a entrada inicial
Quanto maior for a entrada, menor será o montante financiado e a prestação mensal.
Garantir estabilidade profissional
Contratos efetivos e rendimentos estáveis continuam a ser fatores muito valorizados pelos bancos.
Fazer uma análise financeira antes de avançar
Simular diferentes cenários ajuda a perceber qual o valor de prestação confortável para o orçamento familiar.
O mercado imobiliário pode ser afetado?
É provável que estas medidas tenham impacto indireto no mercado imobiliário e no consumo.
Com maior dificuldade no acesso ao crédito:
- algumas famílias poderão adiar a compra de casa;
- poderá existir redução da procura;
- alguns compradores terão acesso a montantes mais baixos;
- o consumo poderá ser afetado, já que o cálculo do esforço inclui todos os créditos.
Ainda assim, o objetivo do Banco de Portugal passa por evitar situações de sobre-endividamento num contexto económico mais incerto.
Redução da taxa de esforço: maior prudência bancária
A proposta do Banco de Portugal representa um novo aperto nas regras do crédito habitação em Portugal.
A redução da taxa de esforço máxima para 45% deverá tornar o acesso ao financiamento mais exigente, sobretudo para clientes com vários créditos ou menor capacidade financeira.
Num cenário de maior prudência bancária, ter uma situação financeira equilibrada poderá fazer toda a diferença na aprovação do crédito.
Para quem pretende comprar casa nos próximos tempos, poderá ser importante preparar o processo com antecedência, reduzir encargos e perceber exatamente qual o impacto da nova taxa de esforço no orçamento familiar.
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Perguntas Frequentes
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A taxa de esforço corresponde à percentagem do rendimento mensal utilizada para pagar créditos e financiamentos.
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A proposta do Banco de Portugal prevê a redução do limite recomendado da taxa de esforço de 50% para 45%.
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A entrada em vigor das novas regras do Banco de Portugal, sobre a taxa de esforço, está prevista para 1 de agosto de 2026, caso a revisão seja aprovada.
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É provável que os bancos adotem critérios mais rigorosos nos pedidos de crédito habitação, especialmente em clientes com maior nível de endividamento.



