- Publicado em: 23/06/2025
- Atualizado em: 20/07/2026
- Redator: Raquel Esteves
- Revisor: Pedro Leite
Trabalhos de verão para jovens: tudo o que precisa de saber
Os trabalhos de verão são, muitas vezes, a porta de entrada no mercado de trabalho para muitos jovens em Portugal. Além da experiência, estes também são uma boa oportunidade para desenvolver competências, ganhar autonomia e começar a construir um percurso profissional.
No entanto, existem regras legais a seguir como a idade mínima, o horário de trabalho, as condições de segurança, bem como as obrigações fiscais e contributivas.
Neste artigo, explicamos-lhe tudo o que precisa de saber.
Qual é a idade mínima para trabalhar no verão em Portugal?
Qual é, de facto, a idade mínima para trabalhar no verão (e não só) em Portugal?
De acordo com a legislação portuguesa, é permitido o início da atividade laboral a partir dos 16 anos.
Desde que o jovem tenha completado a escolaridade obrigatória ou esteja matriculado e a frequentar o ensino secundário. Nestes casos, o contrato de trabalho pode ser feito diretamente com o jovem, exceto se houver oposição dos representantes legais, que por norma são os pais.
Jovens com idade inferior a 16 anos só podem desempenhar trabalhos leves, mediante autorização escrita dos pais ou tutores. Estas funções não podem comprometer o bem-estar físico, psicológico ou académico do menor, e devem estar relacionadas com atividades culturais, desportivas, artísticas ou promocionais.
Que regras se aplicam aos trabalhos de verão?
Mesmo tratando-se de um emprego sazonal ou temporário, os direitos laborais devem ser respeitados. Os principais são:
- Máxima diária: 8 horas
- Limite semanal: 40 horas
- Pausa obrigatória: mínimo de 1 hora após 4 horas consecutivas de trabalho
Os jovens estão proibidos de desempenhar tarefas perigosas ou que envolvam risco para a sua saúde, nomeadamente a operação de maquinaria pesada ou o manuseamento de substâncias tóxicas. A entidade empregadora é responsável por assegurar as condições adequadas de segurança, higiene e formação.
Quais os setores com mais oportunidades de trabalho?
Durante os meses de verão, há necessidade de reforço de pessoal em diversos setores. Os trabalhos de verão mais comuns são:
- Hotelaria e restauração, como cafés, bares, restaurantes;
- Comércio e retalho, como lojas, supermercados, centros comerciais;
- Apoio em eventos e festivais de verão;
- Campos de férias e ATL com outros jovens;
- Agricultura e apanha de fruta, mais em zonas rurais.
Estas funções são, por norma, de curta duração e ajustadas às exigências do período de maior procura, como os meses de julho, agosto e setembro.
Onde procurar ofertas de trabalho de verão?
Existem várias formas de procurar vagas de emprego de verão. Deixamos-lhe algumas opções mais comuns:
- Portais de emprego, como NetEmpregos, Sapo Emprego, Job24, Indeed;
- Empresas de trabalho temporário;
- Redes sociais, como LinkedIn e Facebook;
- Anúncios publicados por Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia;
- Candidatura espontânea a estabelecimentos comerciais e serviços locais.
O contacto direto com empresas e o aproveitamento de redes de proximidade (família, amigos, professores) continuam a ser formas eficazes de conseguir uma primeira oportunidade de emprego.
Primeiro ordenado: como gerir?
Receber o primeiro salário representa um momento importante para qualquer jovem. No entanto, é fundamental promover a literacia financeira desde cedo, incentivando à gestão equilibrada dos rendimentos.
Algumas boas práticas são:
- Abrir uma conta bancária jovem (sem comissões, com acesso digital);
- Dividir o rendimento em três partes: poupança, despesas correntes e lazer;
- Definir metas financeiras simples e criar o hábito de poupar regularmente.
A orientação dos pais ou encarregados de educação pode ser determinante nesta fase, promovendo uma atitude responsável e consciente perante o dinheiro e desde o primeiro salário.
Quais as obrigações fiscais e contributivas?
Mesmo tratando-se de contratos de curta duração, os trabalhos de verão devem respeitar os deveres legais. A entidade empregadora deve garantir:
- Formalização do contrato;
- Registo na Segurança Social;
- Seguro de acidentes de trabalho;
- Cumprimento das obrigações fiscais.
- Caso o rendimento anual do jovem ultrapasse os 8.500 euros (limite de isenção para rendimentos de trabalho dependente), poderá ser necessário apresentar declaração de IRS.
IRS Jovem: compensa utilizá-lo num emprego de verão?
O IRS Jovem, atualizado em 2025, permite a isenção parcial de IRS para contribuintes entre os 18 e os 35 anos, durante os primeiros 10 anos de rendimentos. A isenção é escalonada: 100%, 75%, 50% e 25%, até um limite anual de 28.737,50 euros.
No entanto, para beneficiar deste regime, o jovem não pode ser dependente dos pais. Uma vez que os trabalhos de verão geralmente envolvem rendimentos baixos e esporádicos, a ativação do IRS Jovem pode não ser vantajosa. Pode até antecipar indevidamente o início do benefício, que seria mais útil numa fase de emprego a tempo inteiro com salário estável.
Quanto se ganha num trabalho de verão em Portugal?
O salário de um trabalho de verão depende da função, do setor, do número de horas trabalhadas e do tipo de contrato.
Em Portugal, os trabalhadores têm direito, pelo menos, à Retribuição Mínima Mensal Garantida (RMMG), proporcional ao tempo de trabalho quando se trata de contratos a tempo parcial ou de curta duração.
Em funções sazonais, como hotelaria, restauração, comércio ou animação turística, podem ainda existir subsídios ou remuneração adicional por trabalho noturno, fins de semana ou feriados, quando aplicável.
Antes de aceitar qualquer proposta, confirme sempre o valor do salário, o horário de trabalho e as restantes condições previstas no contrato.
Os trabalhos de verão são uma ótima oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional para os jovens, desde que realizados em conformidade com a legislação em vigor. A experiência adquirida, aliada à responsabilidade de gerir o próprio rendimento, constitui uma base sólida para um futuro mais autónomo e financeiramente consciente. A escolha entre emprego, voluntariado ou formação depende do contexto e dos objetivos individuais, mas todas as opções contribuem para o crescimento e enriquecimento curricular dos mais jovens.
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Perguntas Frequentes
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Sim. Mesmo sendo um trabalho temporário, a entidade empregadora deve celebrar um contrato de trabalho adequado à duração da atividade e cumprir todas as obrigações legais, incluindo a inscrição na Segurança Social e o seguro de acidentes de trabalho.
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Sim. Desde que tenha concluído a escolaridade obrigatória ou esteja matriculado e a frequentar o ensino secundário. O trabalho deve respeitar as regras previstas no Código do Trabalho para menores.
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Sim. Sempre que exista um contrato de trabalho, são efetuados descontos para a Segurança Social, tal como acontece noutros empregos.
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Depende. Se os rendimentos anuais ultrapassarem os limites legais ou se existir obrigação de entrega da declaração, poderá ter de apresentar IRS. Em muitos casos, sobretudo quando os rendimentos são reduzidos e o jovem continua como dependente dos pais, essa obrigação pode não existir.
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Sim, desde que cumpra os requisitos previstos na lei para ser considerado dependente para efeitos de IRS. Ter um trabalho de verão não significa automaticamente perder a condição de dependente no IRS.



