- Publicado em: 14/08/2026
- Atualizado em: 14/08/2026
- Redator: Raquel Esteves
- Revisor: Pedro Leite
Quanto pesa a eletricidade no orçamento familiar?
Segundo a ERSE, em 2026 um casal sem filhos paga em média 36,82€/mês de eletricidade e um casal com dois filhos paga 95,03€/mês, mais de 1.100€/ano. É possível reduzir esse valor sem grandes investimentos, ajustando a potência contratada, a opção horária, o comercializador e os hábitos de consumo, e confirmando o direito à tarifa social.
Os números de referência da ERSE para 2026 dão a medida do peso da energia no orçamento: um casal sem filhos, com potência contratada de 3,45 kVA e consumo anual de 1.900 kWh, paga em média 36,82€ por mês de eletricidade; um casal com dois filhos, com 6,9 kVA e 5.000 kWh anuais, chega aos 95,03€ mensais, mais de 1.100€ por ano. Embora as tarifas reguladas tenham subido apenas 1% este ano, abaixo da inflação, portanto uma ligeira descida em termos reais, o valor final que cada família paga continua a depender sobretudo de escolhas que estão do lado de dentro da porta.
Reunimos as cinco formas de reduzir a fatura que mais vale a pena analisar, começando pelos custos e consumos mais fáceis de controlar.
1. Reveja a potência contratada
A potência contratada é um daqueles custos que continuam a aparecer na fatura todos os meses, mesmo quando o consumo varia. E é frequente encontrar casas com uma potência superior à que realmente precisam, seja porque foi definida há vários anos, seja porque foi escolhida “por segurança”.
Se os equipamentos utilizados em simultâneo não exigirem uma potência tão elevada, baixar um escalão pode traduzir-se numa poupança mensal sem qualquer alteração nos hábitos de consumo.
Vale a pena começar pela própria fatura: qual é a potência contratada e continua a fazer sentido para a utilização atual da casa?
2. Escolha a tarifa de acordo com os seus hábitos
A tarifa que compensa mais depende, em grande medida, de quando utiliza eletricidade.
Na tarifa bi-horária, o preço da energia é mais baixo durante os períodos de vazio, normalmente à noite e aos fins de semana, mas mais elevado nas restantes horas. Para quem consegue concentrar nesses períodos alguns dos maiores consumos, como máquinas de lavar, secador ou carregamento de um veículo elétrico, a tarifa bi-horária pode ser uma opção interessante.
Já para quem utiliza eletricidade de forma mais uniforme ao longo do dia, a tarifa simples pode fazer mais sentido.
Em vez de escolher com base no que “parece” mais barato, analise o seu consumo real. A fatura e, nos casos em que exista, o contador inteligente podem ajudar a perceber quando está efetivamente a gastar mais.
3. Compare o comercializador e o tarifário
Mesmo mantendo os mesmos hábitos de consumo, a fatura pode variar bastante consoante a oferta contratada.
No mercado liberalizado existem diferentes modelos: tarifas com preços fixos, soluções indexadas ao mercado grossista e ofertas que incluem descontos associados, por exemplo, ao débito direto ou à fatura eletrónica.
Por isso, olhar apenas para o preço do kWh pode ser enganador. O mais importante é comparar o custo global da eletricidade ao longo do ano, incluindo os custos fixos, o consumo e os impostos.
E não faça esta análise apenas uma vez. Uma oferta que era competitiva quando foi contratada pode deixar de o ser quando terminam promoções ou surgem novas condições no mercado.
4. Reduza o consumo antes de reduzir a fatura
Há poupanças que dependem de mudar contratos. Outras começam simplesmente por consumir menos.
Trocar lâmpadas por LED, optar por equipamentos mais eficientes quando chega a altura de os substituir, evitar consumos em standby e utilizar a climatização de forma mais eficiente são pequenas mudanças que, acumuladas ao longo do ano, podem ter impacto na fatura.
E há uma vantagem adicional: consumir menos pode também permitir rever a potência contratada, criando uma segunda oportunidade de poupança.
5. Confirme se pode beneficiar da tarifa social
Para os consumidores que reúnem os critérios de elegibilidade, a tarifa social de eletricidade representa um desconto significativo na fatura.
Em 2026, o desconto é de 33,8% sobre a tarifa regulada, podendo representar uma poupança média mensal de 13,50 € para um casal sem filhos e de 32,95 € para um casal com dois filhos.
A atribuição é, na maioria dos casos, automática, mas pode valer a pena confirmar se a situação atual continua a cumprir os critérios, especialmente depois de alterações no rendimento ou na composição do agregado familiar.
Quando poupar implica investir?
Nem todas as formas de reduzir a fatura passam por mudar de tarifário ou alterar hábitos. Em alguns casos, a maior poupança está numa melhoria da própria casa.
Painéis solares para autoconsumo, uma bomba de calor, janelas mais eficientes ou eletrodomésticos de maior eficiência energética podem reduzir os consumos durante vários anos. O desafio está, muitas vezes, no investimento inicial.
É aqui que o financiamento pode ter um papel importante. Este tipo de investimento pode ter acesso a condições de financiamento mais vantajosas do que um crédito comum.
Na e-loan, pode simular diferentes soluções de financiamento para painéis solares ou obras de eficiência energética, tendo em conta o projeto e o orçamento disponível.
Da fatura da luz ao orçamento familiar
A eletricidade é um bom exemplo de como pequenas decisões podem fazer diferença no orçamento. Rever a potência, perceber os hábitos de consumo, comparar tarifários e procurar formas de gastar menos são passos simples, mas que podem gerar poupanças ao longo do tempo.
E esta lógica não se aplica apenas à energia.
Telecomunicações, seguros, subscrições e outros custos fixos também merecem ser revistos regularmente. Conhecer o que estamos a pagar, comparar alternativas e ajustar as despesas à nossa realidade é uma das formas mais eficazes de manter o orçamento sob controlo.
A fatura da luz pode não ser a maior despesa de uma família, mas é um bom ponto de partida: chega todos os meses, permite medir resultados e tem várias oportunidades de poupança escondidas à vista de todos.
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Perguntas Frequentes
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Avalie quantos equipamentos de grande consumo (forno, placa, máquinas, ar condicionado, esquentador elétrico) funcionam em simultâneo no dia a dia da casa. Se a potência atual raramente é usada no limite, um escalão abaixo reduz o custo fixo mensal sem qualquer mudança de hábitos. A alteração pode ser pedida ao comercializador.
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Não. Só compensa para quem consegue deslocar uma parte relevante do consumo para o período de vazio (noite e fim de semana). Quem tem consumos muito distribuídos ao longo do dia pode acabar a pagar mais do que na tarifa simples.
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Consumidores economicamente vulneráveis, beneficiários de determinadas prestações sociais ou com rendimento anual abaixo do limiar legal, com potência contratada até 6,9 kVA. O desconto é de 33,8% sobre a tarifa regulada e a atribuição é, em regra, automática, cruzando dados da Segurança Social e da Autoridade Tributária.
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Desde 2022 que o IVA da componente de consumo é reduzido (6%) nos primeiros 200 kWh de cada mês (300 kWh para famílias com cinco ou mais elementos), aplicando-se a taxa normal (23%) ao consumo acima desse limiar. Na prática, quanto mais controlado o consumo mensal, maior a fração da fatura taxada a 6%.



