- Publicado em: 02/10/2026
- Atualizado em: 02/10/2026
- Redator: Raquel Esteves
- Revisor: Pedro Leite
A burla de recuperação é uma fraude dirigida a quem já foi burlado: alguém promete devolver o dinheiro perdido, mas exige um pagamento antecipado e nunca devolve nada. Também é conhecida como recovery scam. Na prática, a mesma pessoa é vítima duas vezes.
A regra que resume este guia é simples: nenhuma entidade legítima cobra para devolver dinheiro que é seu. Nem o Banco de Portugal, nem a CMVM, nem os tribunais, nem uma plataforma de investimento séria. Se lhe pedem uma taxa para “desbloquear” fundos, está perante uma burla.
Na e-loan, como intermediária de crédito, já recebemos pedidos de crédito cujo destino real era pagar estas falsas taxas. Por isso escrevemos este guia: para ajudar a reconhecer o esquema antes de perder mais dinheiro.
Como funciona a burla de recuperação
O esquema segue quase sempre as mesmas cinco etapas.
- A primeira burla. A pessoa perde dinheiro numa fraude anterior: investimento falso, criptomoedas, burla romântica ou compras online.
- O contacto inesperado. Dias ou semanas depois, recebe uma chamada, email, SMS ou mensagem nas redes sociais. Quem contacta já sabe quanto foi perdido e onde.
- A falsa credencial. O burlão apresenta-se como advogado, empresa de recuperação de fundos, funcionário de um banco ou até de uma entidade pública.
- O pedido de pagamento. Para “desbloquear o processo”, pede uma quantia antecipada: honorários, impostos, custas judiciais ou taxas administrativas.
- O desaparecimento ou a escalada. Depois do pagamento, o contacto desaparece ou surge um novo custo inesperado, e o ciclo repete-se.
Um exemplo típico: “Sabemos que perdeu 15.000 € numa plataforma de investimento fraudulenta. Conseguimos recuperar os seus fundos, mas precisamos de 750 € para desbloquear o processo.”
O esquema funciona porque explora o momento mais frágil da vítima: o desespero pelas poupanças perdidas, a vergonha de ter sido enganada e a esperança de reverter a situação. Muitas vezes, os dados usados no segundo contacto vêm dos mesmos burlões da primeira fraude.
Sinais de alerta de uma burla de recuperação
Basta um destes sinais para desconfiar:
- Pedem dinheiro antes de devolver dinheiro. É o sinal mais claro de todos. Entidades legítimas não cobram para libertar fundos.
- O contacto não foi pedido por si. Não procurou ajuda, mas alguém sabe exatamente quanto perdeu.
- Garantem a recuperação. Ninguém pode prometer com certeza que vai reaver o dinheiro de uma burla.
- Há pressão para agir depressa. “O prazo termina hoje” ou “os fundos vão ser perdidos” são frases típicas.
- Pedem pagamento em criptomoedas, cartões pré-pagos ou transferências para contas no estrangeiro.
- Pedem acesso remoto ao computador ou códigos de autenticação.
- Invocam o nome de reguladores ou tribunais para dar credibilidade, muitas vezes com documentos e logótipos falsificados.
- Pedem sigilo, por exemplo para não falar com o banco ou com a família.
Por quem se fazem passar os burlões
O disfarce muda, mas o pedido é sempre o mesmo: pagar primeiro.
| Disfarce | O que dizem | Porque é falso |
| Advogado ou escritório jurídico | “Temos um processo aberto para recuperar os seus fundos.” | Um advogado real formaliza um contrato de mandato e não contacta vítimas desconhecidas a pedir custos imediatos. |
| Empresa de recuperação de fundos | “Somos especialistas em rastrear criptomoedas.” | Ninguém consegue garantir a recuperação de fundos desviados. |
| Banco ou financeira | “O banco conseguiu bloquear a transferência, falta pagar a taxa.” | O seu banco não cobra taxas para devolver dinheiro retido por fraude. |
| Banco de Portugal, CMVM ou polícia | “Recuperámos o seu dinheiro, mas há impostos a liquidar.” | Reguladores e polícias não cobram nada para devolver valores. |
| A própria plataforma da primeira burla | “Pague a comissão de levantamento para receber os lucros.” | É o mesmo burlão a pedir mais uma vez. |
O que fazer se for contactado ou já tiver pago
Se foi contactado mas ainda não pagou, não pague nada e corte o contacto. Não clique em links, não instale programas e não partilhe dados bancários ou códigos.
Se já pagou, aja depressa:
- Contacte o seu banco de imediato. Peça para tentar travar ou reverter a transferência e bloquear cartões ou acessos comprometidos.
- Apresente queixa na PSP, GNR ou Polícia Judiciária. Também pode fazê-lo online, no portal de Queixa Eletrónica do Ministério da Administração Interna.
- Leve os comprovativos: transferências, emails, números de telefone, nomes usados, capturas de ecrã das conversas.
- Faça nova queixa mesmo que já tenha feito uma pela primeira burla. Cada novo pedido de pagamento é um facto novo a reportar.
- Comunique ao Banco de Portugal ou à CMVM se os burlões usaram o nome dessas entidades ou se envolveu uma falsa plataforma de investimento.
- Procure apoio. A APAV (Linha de Apoio à Vítima, 116 006) apoia vítimas de crime gratuitamente.
Se precisar de dinheiro para cobrir as perdas, não peça crédito sob pressão e nunca para pagar taxas de recuperação. Fale primeiro com alguém de confiança.
Pedir crédito para pagar a "recuperação": o erro mais caro
Pedir um crédito para pagar taxas de recuperação transforma uma perda numa dívida. O dinheiro vai para os burlões e a prestação fica consigo durante anos.
Na e-loan já identificámos casos destes. Há vítimas que, sem poupanças e pressionadas pelos burlões, pedem um crédito para pagar as falsas taxas. Algumas chegam a dizer que foram os próprios burlões a indicar a e-loan como intermediária do processo.
A nossa resposta é sempre a mesma:
- Pausa para validação. Quando surge um sinal de alerta, suspendemos a simulação ou a proposta antes de a enviar à instituição de crédito. Não é uma recusa, é uma verificação.
- Conversa factual e sem julgamento. Explicamos que precisamos de perceber o destino real do crédito e lembramos que ninguém legítimo cobra para devolver dinheiro.
- Encaminhamento. Recomendamos queixa na PSP ou GNR, com os comprovativos, e participamos a ocorrência ao Banco de Portugal quando se justifica.
- Registo interno. Cada caso fica registado com data, conteúdo do contacto e decisão tomada.
A e-loan não faz parte deste tipo de esquema. Se alguém usar o nosso nome para lhe pedir dinheiro em troca de uma recuperação, contacte-nos diretamente pelos canais oficiais do site. Saiba mais em Burla de Recuperação: como a e-loan protege os clientes.
E no nosso vídeo Um Cliente Contou-me.
O que dizem as autoridades
O Banco de Portugal e a CMVM já alertaram várias vezes para este tipo de fraude, com a mesma mensagem: não pague para recuperar dinheiro.
| Data | Entidade | Alerta |
| setembro de 2026 | CMVM | Alerta para o aumento de burlas com falsos investimentos. Aconselha a não transferir dinheiro para alegadas recuperações de investimentos anteriores, nem para comissões, seguros ou impostos. |
| outubro de 2025 | CMVM | Refere burlões que contactam vítimas por telefone, WhatsApp ou email com propostas para recuperar montantes perdidos em fraudes anteriores. Lembra que não comunica por WhatsApp. |
| outubro de 2025 | Banco de Portugal | Aviso sobre fraude em criptoativos, incluindo quem se oferece para ajudar a recuperar criptoativos da vítima. |
| 16 de junho de 2025 | Banco de Portugal | Alerta para contactos, sobretudo em inglês, que prometem reativar carteiras de criptoativos “inativas” mediante pagamento. Recomenda não pagar e informar PSP, GNR, PJ ou Ministério Público. |
Nota para a redação: a notícia original menciona um comunicado da PSP sobre burlas de investimento em três fases (confiança, engorda e abate). Confirmar a data e o link antes de o incluir aqui.
Conclusão
Se alguém lhe pede dinheiro para recuperar dinheiro, é burla. Não pague, guarde as provas, fale com o seu banco e apresente queixa.
Perder poupanças numa burla é duro, e a vergonha faz muitas vítimas ficarem caladas. Falar com a família, com o banco e com as autoridades é o que corta o ciclo.
A RTP também fez uma reportagem, com casos reais, que o pode ajudar. Assista e descubra como identificar e prevenir este tipo de burlas.
Descubra vários conteúdos sobre finanças no nosso blog – As Minhas Finanças.
A e-loan Soluções Financeiras é um intermediário de crédito vinculado, registado no Banco de Portugal, com o número 0001398.
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Perguntas Frequentes
Consulte as respostas às questões mais comuns sobre os nossos produtos e serviços.
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É uma fraude em que alguém promete recuperar o dinheiro que a vítima perdeu numa burla anterior, mas exige um pagamento antecipado. Depois de receber o dinheiro, desaparece ou pede mais.
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Desconfie de qualquer empresa que o contacte sem pedir e garanta a recuperação. Em Portugal, o caminho seguro é a queixa às autoridades e o contacto com o seu banco, que não cobram para devolver dinheiro.
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Não. Nenhum regulador cobra taxas, impostos ou comissões para libertar fundos. A CMVM também avisa que não comunica por WhatsApp.
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Muitas vezes são os mesmos burlões, ou compram listas de vítimas a outros criminosos. Por isso sabem o valor perdido e o nome da plataforma.
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É difícil, mas agir depressa aumenta as hipóteses. Contacte o banco de imediato e apresente queixa na PSP, GNR, PJ ou Ministério Público com todos os comprovativos.
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Não. Se lhe pedem dinheiro para recuperar dinheiro, é burla. Um crédito só junta uma dívida à perda que já teve.
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Na PSP, GNR ou Polícia Judiciária, presencialmente, ou online no portal de Queixa Eletrónica. Faça queixa mesmo que já tenha feito uma pela primeira burla.



