A burla de recuperação é uma fraude dirigida a quem já foi burlado: alguém promete devolver o dinheiro perdido, mas exige um pagamento antecipado e nunca devolve nada. Também é conhecida como recovery scam. Na prática, a mesma pessoa é vítima duas vezes.

A regra que resume este guia é simples: nenhuma entidade legítima cobra para devolver dinheiro que é seu. Nem o Banco de Portugal, nem a CMVM, nem os tribunais, nem uma plataforma de investimento séria. Se lhe pedem uma taxa para “desbloquear” fundos, está perante uma burla.

Na e-loan, como intermediária de crédito, já recebemos pedidos de crédito cujo destino real era pagar estas falsas taxas. Por isso escrevemos este guia: para ajudar a reconhecer o esquema antes de perder mais dinheiro.

Sumário

    Como funciona a burla de recuperação

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    O esquema segue quase sempre as mesmas cinco etapas.

    1. A primeira burla. A pessoa perde dinheiro numa fraude anterior: investimento falso, criptomoedas, burla romântica ou compras online.
    2. O contacto inesperado. Dias ou semanas depois, recebe uma chamada, email, SMS ou mensagem nas redes sociais. Quem contacta já sabe quanto foi perdido e onde.
    3. A falsa credencial. O burlão apresenta-se como advogado, empresa de recuperação de fundos, funcionário de um banco ou até de uma entidade pública.
    4. O pedido de pagamento. Para “desbloquear o processo”, pede uma quantia antecipada: honorários, impostos, custas judiciais ou taxas administrativas.
    5. O desaparecimento ou a escalada. Depois do pagamento, o contacto desaparece ou surge um novo custo inesperado, e o ciclo repete-se.

    Um exemplo típico: “Sabemos que perdeu 15.000 € numa plataforma de investimento fraudulenta. Conseguimos recuperar os seus fundos, mas precisamos de 750 € para desbloquear o processo.”

    O esquema funciona porque explora o momento mais frágil da vítima: o desespero pelas poupanças perdidas, a vergonha de ter sido enganada e a esperança de reverter a situação. Muitas vezes, os dados usados no segundo contacto vêm dos mesmos burlões da primeira fraude.

    Sinais de alerta de uma burla de recuperação

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    Basta um destes sinais para desconfiar:

    • Pedem dinheiro antes de devolver dinheiro. É o sinal mais claro de todos. Entidades legítimas não cobram para libertar fundos.
    • O contacto não foi pedido por si. Não procurou ajuda, mas alguém sabe exatamente quanto perdeu.
    • Garantem a recuperação. Ninguém pode prometer com certeza que vai reaver o dinheiro de uma burla.
    • Há pressão para agir depressa. “O prazo termina hoje” ou “os fundos vão ser perdidos” são frases típicas.
    • Pedem pagamento em criptomoedas, cartões pré-pagos ou transferências para contas no estrangeiro.
    • Pedem acesso remoto ao computador ou códigos de autenticação.
    • Invocam o nome de reguladores ou tribunais para dar credibilidade, muitas vezes com documentos e logótipos falsificados.
    • Pedem sigilo, por exemplo para não falar com o banco ou com a família.

    Por quem se fazem passar os burlões

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    O disfarce muda, mas o pedido é sempre o mesmo: pagar primeiro.

    Disfarce O que dizem Porque é falso
    Advogado ou escritório jurídico “Temos um processo aberto para recuperar os seus fundos.” Um advogado real formaliza um contrato de mandato e não contacta vítimas desconhecidas a pedir custos imediatos.
    Empresa de recuperação de fundos “Somos especialistas em rastrear criptomoedas.” Ninguém consegue garantir a recuperação de fundos desviados.
    Banco ou financeira “O banco conseguiu bloquear a transferência, falta pagar a taxa.” O seu banco não cobra taxas para devolver dinheiro retido por fraude.
    Banco de Portugal, CMVM ou polícia “Recuperámos o seu dinheiro, mas há impostos a liquidar.” Reguladores e polícias não cobram nada para devolver valores.
    A própria plataforma da primeira burla “Pague a comissão de levantamento para receber os lucros.” É o mesmo burlão a pedir mais uma vez.

    O que fazer se for contactado ou já tiver pago

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    Se foi contactado mas ainda não pagou, não pague nada e corte o contacto. Não clique em links, não instale programas e não partilhe dados bancários ou códigos.

    Se já pagou, aja depressa:

    1. Contacte o seu banco de imediato. Peça para tentar travar ou reverter a transferência e bloquear cartões ou acessos comprometidos.
    2. Apresente queixa na PSP, GNR ou Polícia Judiciária. Também pode fazê-lo online, no portal de Queixa Eletrónica do Ministério da Administração Interna.
    3. Leve os comprovativos: transferências, emails, números de telefone, nomes usados, capturas de ecrã das conversas.
    4. Faça nova queixa mesmo que já tenha feito uma pela primeira burla. Cada novo pedido de pagamento é um facto novo a reportar.
    5. Comunique ao Banco de Portugal ou à CMVM se os burlões usaram o nome dessas entidades ou se envolveu uma falsa plataforma de investimento.
    6. Procure apoio. A APAV (Linha de Apoio à Vítima, 116 006) apoia vítimas de crime gratuitamente.

    Se precisar de dinheiro para cobrir as perdas, não peça crédito sob pressão e nunca para pagar taxas de recuperação. Fale primeiro com alguém de confiança.

    Pedir crédito para pagar a "recuperação": o erro mais caro

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    Pedir um crédito para pagar taxas de recuperação transforma uma perda numa dívida. O dinheiro vai para os burlões e a prestação fica consigo durante anos.

    Na e-loan já identificámos casos destes. Há vítimas que, sem poupanças e pressionadas pelos burlões, pedem um crédito para pagar as falsas taxas. Algumas chegam a dizer que foram os próprios burlões a indicar a e-loan como intermediária do processo.

    A nossa resposta é sempre a mesma:

    • Pausa para validação. Quando surge um sinal de alerta, suspendemos a simulação ou a proposta antes de a enviar à instituição de crédito. Não é uma recusa, é uma verificação.
    • Conversa factual e sem julgamento. Explicamos que precisamos de perceber o destino real do crédito e lembramos que ninguém legítimo cobra para devolver dinheiro.
    • Encaminhamento. Recomendamos queixa na PSP ou GNR, com os comprovativos, e participamos a ocorrência ao Banco de Portugal quando se justifica.
    • Registo interno. Cada caso fica registado com data, conteúdo do contacto e decisão tomada.

    A e-loan não faz parte deste tipo de esquema. Se alguém usar o nosso nome para lhe pedir dinheiro em troca de uma recuperação, contacte-nos diretamente pelos canais oficiais do site. Saiba mais em Burla de Recuperação: como a e-loan protege os clientes.

    E no nosso vídeo Um Cliente Contou-me.

    O que dizem as autoridades

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    O Banco de Portugal e a CMVM já alertaram várias vezes para este tipo de fraude, com a mesma mensagem: não pague para recuperar dinheiro.

    Data Entidade Alerta
    setembro de 2026 CMVM Alerta para o aumento de burlas com falsos investimentos. Aconselha a não transferir dinheiro para alegadas recuperações de investimentos anteriores, nem para comissões, seguros ou impostos.
    outubro de 2025 CMVM Refere burlões que contactam vítimas por telefone, WhatsApp ou email com propostas para recuperar montantes perdidos em fraudes anteriores. Lembra que não comunica por WhatsApp.
    outubro de 2025 Banco de Portugal Aviso sobre fraude em criptoativos, incluindo quem se oferece para ajudar a recuperar criptoativos da vítima.
    16 de junho de 2025 Banco de Portugal Alerta para contactos, sobretudo em inglês, que prometem reativar carteiras de criptoativos “inativas” mediante pagamento. Recomenda não pagar e informar PSP, GNR, PJ ou Ministério Público.

    Nota para a redação: a notícia original menciona um comunicado da PSP sobre burlas de investimento em três fases (confiança, engorda e abate). Confirmar a data e o link antes de o incluir aqui.

    Conclusão

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    Se alguém lhe pede dinheiro para recuperar dinheiro, é burla. Não pague, guarde as provas, fale com o seu banco e apresente queixa.

    Perder poupanças numa burla é duro, e a vergonha faz muitas vítimas ficarem caladas. Falar com a família, com o banco e com as autoridades é o que corta o ciclo.

    A RTP também fez uma reportagem, com casos reais, que o pode ajudar. Assista e descubra como identificar e prevenir este tipo de burlas.

    Descubra vários conteúdos sobre finanças no nosso blog – As Minhas Finanças.

    A e-loan Soluções Financeiras é um intermediário de crédito vinculado, registado no Banco de Portugal, com o número 0001398.

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    • É uma fraude em que alguém promete recuperar o dinheiro que a vítima perdeu numa burla anterior, mas exige um pagamento antecipado. Depois de receber o dinheiro, desaparece ou pede mais.

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