Quero deixar claro que a e-loan não compactua com este tipo de processos. Nós nunca pedimos dinheiro para desbloquear quaisquer fundos, nem mesmo pelo próprio serviço de pedido de crédito. E, sempre que identificamos este tipo de situações, travamos imediatamente e não permitimos o avanço do processo de crédito.
Juliana, olha, esta semana voltei a atender mais uma chamada de uma cliente e está-se a tornar assustador, porque, novamente, uma cliente a dizer-me: «Olhe, paguei outra vez, mas desta vez tenho que pagar por algo que já me foi roubado.»
Uau! Ela precisava de pagar novamente por uma coisa que já tinha sido tirada dela, que já tinha sido roubada.
Exatamente. É isso mesmo. E, infelizmente, isto não é um caso isolado. Portanto, esta é uma burla que tem estado a crescer muito em Portugal e é assustador.
Ok. Então, hoje vamos falar sobre isso, sobre algumas burlas que acontecem e as mais comuns. Mas tu és uma analista de crédito. Como é que este assunto chega até ti?
Olha, geralmente, este assunto chega através de uma chamada telefónica. Portanto, estas vítimas de burla ligam-nos muitas vezes a tentar pedir um financiamento para conseguir pagar aquilo que os burlões lhes estão a pedir.
Vamos então por partes. Quais são as burlas mais frequentes, mais recorrentes que recebemos?
Sim, olha, há várias. Eu posso falar das principais. Talvez uma das mais conhecidas seja o phishing, que basicamente são SMS ou e-mails fraudulentos, que geralmente se fazem passar por entidades bastante conhecidas por nós, não é? Portanto, por exemplo, os bancos, os CTT, as Finanças ou até mesmo as operadoras.
E nessas SMS, eles normalmente enviam um link, é isso?
Exatamente. É isso mesmo. Portanto, geralmente estas mensagens têm sempre um link associado que leva à página ou ao site destas mesmas entidades. Portanto, se for um banco, esse link vai levar ao site do banco.
E como é que nos podemos proteger e identificar que é uma burla?
Um conselho que dou sempre às pessoas é nunca clicar imediatamente no link, especialmente porque, à partida, é uma mensagem que não foi solicitada.
Depois, podemos também confirmar sempre no site oficial da entidade, seja do banco ou dos CTT. Devemos desconfiar sempre da urgência, porque, por norma, há sempre um diálogo de ameaça: vão cortar os nossos serviços ou bloquear a nossa conta. E devemos também confirmar sempre o remetente. É importante.
Ok. E, no caso de eu já ter clicado e estar no link, como é que posso identificar que aquele link é estranho?
Boa pergunta. Portanto, os links normalmente têm sempre alguns erros ou têm algumas palavras ou letras metidas lá no meio que não fazem parte.
Também vale a pena olharmos para o endereço do site. Por exemplo, em vez de terminar em .pt, pode terminar em .com ou ter um endereço estranho.
Também vale a pena olharmos para o design do site, porque geralmente tem erros ortográficos ou não está exatamente igual ao site oficial da entidade.
Portanto, há aqui uma série de questões a que é importante estarmos atentos quando clicamos no link.
Ah, ok. E as chamadas telefónicas? Eu recebo imensas que nunca solicitei.
É verdade. E essa burla é das mais assustadoras, porque é muito real. Parece muito real.
Basicamente, o burlão liga-nos a dizer que houve uma transação suspeita na nossa conta e, por isso, é tão fácil as pessoas serem enganadas.
Depois, geralmente, pedem um código de confirmação para podermos desbloquear essa transação ou impedir que seja feita.
É, realmente, isso parece uma coisa viável, uma coisa que parece vir da própria entidade.
É verdade. E é por isso que funciona tão bem.
Mas há uma regra de ouro que é muito importante retermos: não há nenhum banco que vá pedir, por telefone, algum código de confirmação ou alguma palavra-passe.
Portanto, se recebermos alguma chamada destas, o importante é desligarmos o telefone e sermos nós próprios a ligar diretamente para o número oficial do banco e confirmarmos.
É curioso porque, numa dessas chamadas que tive, ligaram-me a dizer que eram da minha companhia de eletricidade e que o meu pacote promocional ia acabar. Estavam a oferecer-me algo novo com outra instituição.
Achei isso muito estranho. Disse que estava ocupada na altura e liguei, de facto, para a minha companhia de eletricidade. E eles disseram-me logo: «Não, isso é burla, não dê seguimento.»
E acabei por ter sorte, porque a entidade até me ofereceu um desconto para compensar pelo pequeno quase-estresse que aconteceu.
Vi nas notícias que muitas vezes também se fazem passar por entidades públicas.
É verdade. Fazem-se passar por tribunais, pela Segurança Social, pelas Finanças.
Geralmente, dizem que temos uma multa, um processo ou uma dívida que muitas vezes nem existe.
E como podemos identificar?
Geralmente, é sempre para ontem. Temos de pagar hoje, agora. É sempre tudo muito, muito urgente.
E isso é um motivo para desconfiarmos.
Há mais tipos que vale a pena mencionar?
Há várias. Agora os burlões são muito criativos.
Por exemplo, existem as burlas com investimentos, geralmente associadas às criptomoedas, em que prometem uma recuperação muito rápida.
Também existem burlas associadas a um suposto suporte técnico, em que dizem que o nosso computador ou telemóvel tem um vírus e pedem acesso.
Tentam aceder ao nosso telemóvel para nos ajudar, supostamente, e ficam com acesso aos nossos dados, palavras-passe, etc.
As vendas online também são um problema, com comprovativos de pagamento ou faturas que não são verdadeiros.
Mas, sim, basicamente, os burlões são muito criativos e há muitos tipos de burlas agora.
Nossa, são mesmo muitas.
São muitas, sim.
Mas há uma burla de que quero falar com mais calma, porque tem sido aquela que se tem tornado mais recorrente, pelo menos no nosso dia a dia. E é mesmo importante falarmos sobre ela.
Esta burla chama-se burla de recuperação e o alvo não é uma pessoa qualquer. É alguém que já foi burlado no passado e que agora os burlões vão tentar burlar novamente.
Exatamente. Imagina alguém que, há umas semanas, investiu algum dinheiro, por exemplo, na compra de criptomoedas, com a garantia de que ia ter uma recuperação rápida.
Investe esse dinheiro, percebe entretanto que aquilo era uma burla e não teve essa recuperação.
Depois, surge alguém a dizer que vai conseguir recuperar esse dinheiro, que garante que o vai conseguir recuperar.
E normalmente quem é que faz esse contacto?
Olha, geralmente, são pessoas que se apresentam como advogados, representantes de empresas de gestão de fundos ou até mesmo representantes de um banco. Depois, pedem dinheiro para isso.
É assim, exatamente?
Exatamente. Pedem sempre um valor de recuperação. Geralmente, justificam isso como honorários ou uma taxa de recuperação.
E as pessoas acham que é legítimo estarem a pedir esse valor e então chegam até nós a pedir financiamento.
E a pessoa não identificou da primeira vez que foi vítima de uma burla?
Identificou, mas geralmente estas pessoas recebem uma mensagem a dizer que sabem que essa pessoa foi vítima de uma burla, que investiu dinheiro numa plataforma fraudulenta.
Por exemplo, 15.000 euros. E eles são muito certinhos, portanto, dizem mesmo valores reais. Sabem que essa pessoa investiu 15.000 euros numa plataforma fraudulenta e dizem que vão conseguir recuperar esse dinheiro se pagarem, por exemplo, 750 euros dessa taxa de recuperação.
Nossa, isso é mesmo muito cruel.
É muito cruel, porque explora o desespero de pessoas que já foram vítimas de burla.
Também a culpa que estas pessoas sentem, porque se deixaram levar por este esquema. Já caíram numa burla, sentem-se culpadas por isso.
E há também o sentimento de perda, porque muitas vezes estas pessoas perdem todas as poupanças de uma vida investidas nestas coisas e percebem que foi uma burla.
É mesmo muito triste.
Tu até comentaste, noutra burla, sobre o sentido de urgência. É sempre válido desconfiar quando alguém entra em contacto a oferecer opções muito vantajosas, com condições muito distantes das praticadas no mercado, e promete que a recuperação vai ser muito rápida.
Enfim, é triste, mas precisamos de estar sempre em alerta.
É isso mesmo. E é importante também estarmos alerta.
A verdade é que plataformas legítimas, como o Banco de Portugal e a CMVM, estão constantemente a emitir alertas acerca deste tipo de burlas, especialmente sobre esta burla em específico.
Têm alertado muito para que as pessoas tenham cuidado, estejam muito atentas ao tipo de contacto que recebem e desconfiem sempre.
E tu disseste que as pessoas chegam até à e-loan para pedir crédito justamente por causa deste tipo de burla.
Exatamente. O que é grave, porque estão a agravar ainda mais a sua situação financeira ao pedir um empréstimo para pagar uma coisa que nunca vão ter de volta.
E, portanto, estão a agravar a situação financeira.
É um assunto delicado. Como é que vocês fazem?
Nós nunca demonstramos logo ao cliente que estamos a perceber que aquilo é uma burla.
Primeiro, tentamos perceber qual é a finalidade daquele montante. Depois, geralmente, os clientes acabam por explicar, porque já sabem que foram burlados antes e acabam por desabafar a sua situação.
Muitas vezes, é isso. Ficamos a saber, conversamos com o cliente e explicamos que está novamente a ser vítima de uma burla.
Em primeiro lugar, aquilo que fazemos é não avançar com o pedido de crédito. Deixamos o processo suspenso e tentamos aconselhar e acompanhar o cliente, no sentido de reunir também todos os factos e procurar as entidades que o podem ajudar, neste caso, a GNR e a polícia, por exemplo.
Nunca é demais fazer o reporte destas situações.
Depois, tentamos sempre conversar com o cliente.
Olha, posso contar, por exemplo, a história muito recente de um cliente que chegou até nós e que já tinha sido burlado em 80.000 euros.
Uau, 80.000 euros!
Perdeu todas as poupanças que tinha.
Depois, supostamente, alguém chegou até ele a prometer que iria conseguir recuperar esse montante, mas que ele tinha de pagar cerca de 20.000 euros.
Exatamente, cerca de 20.000 euros.
E, assim, totalizava 100.000 euros em burla.
Exatamente. E, portanto, o cliente já não tinha liquidez e chegou até nós a pedir um empréstimo para conseguir pagar aos burlões esse valor, para tentar reaver o dinheiro.
Nós fizemos esse acompanhamento.
Neste caso, os burlões tinham acesso ao telefone do cliente, porque pediam acesso através de chamadas do WhatsApp e, portanto, conseguiam fazer autorizações de transferências através da aplicação do banco.
Calma! Então, ele já tinha caído em duas burlas diferentes? A primeira foi dar o dinheiro e a segunda foi dar acesso aos burlões ao telemóvel?
Exatamente.
Pronto, e basicamente é isto que nos tem chegado cada vez mais. Por isso é que é muito assustador.
É assustador também porque notamos que isto explora os sentimentos de culpa da parte dos clientes e também a componente emocional associada às poupanças de uma vida inteira, que os clientes acabam por perder.
E é difícil lidarmos com isso.
É difícil acreditar que as pessoas são ruins e cruéis a esse ponto.
Mas acho que aquilo que nós, enquanto empresa, podemos fazer é estar sempre atentos, identificar estas situações quando conseguimos, sinalizar, aconselhar e tentar passar sempre a informação da melhor forma possível.
E, para fechar, o que é que tens a dizer a quem nos está a ouvir?
Quero deixar claro que a e-loan não compactua com este tipo de processos.
Nós nunca pedimos dinheiro para desbloquear quaisquer fundos, nem mesmo pelo próprio serviço de pedido de crédito.
E, sempre que identificamos este tipo de situações, travamos imediatamente e não permitimos o avanço do processo de crédito.
Se achas que este conteúdo pode ajudar alguém, partilha ou envia-o a essa pessoa.
Vamos tentar evitar que mais pessoas caiam em situações como estas.
Na e-loan, assim que há qualquer sinal de burla, paramos imediatamente.
Não precisamos de ter a certeza absoluta. A suspeita já é suficiente para agirmos.
Recomendamos sempre que procurem a PSP ou a GNR para apresentar queixa, mesmo que já o tenham feito anteriormente.
A e-loan não faz parte deste tipo de processos. Nunca pedimos dinheiro para desbloquear fundos, nem pelo próprio serviço de pedido de crédito.
Sempre que identificamos estes sinais, travamos o processo e não avançamos com o crédito.
Intermediação de crédito pela Easy Finance, Sociedade Limitada, registada no Banco de Portugal com o número 0001398.
Sujeito à aprovação da instituição financeira.
O serviço é gratuito para o cliente.